Saúde ocular e prevenção

Saúde ocular e prevenção

Post 20/04/15

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Saúde ocular e prevenção da cegueira

Possivelmente, a visão talvez seja o sentido humano mais importante, considerando-se que a maior parte de nosso entendimento e contato com o mundo exterior realiza-se através dos olhos.

 

A maioria dos casos de cegueira evitável ocorre nos países em desenvolvimento, como o Brasil, e a perda da visão acarreta graves prejuízos às atividades escolares, intelectuais, profissionais e sociais, restringindo fortemente a produção e a capacidade de trabalho das pessoas afetadas. Considerando-se tal fato, a descoberta precoce dos problemas e posterior encaminhamento do indivíduo aos serviços especializados é fundamental, haja vista que dois em cada três casos de cegueira poderiam ser evitados caso houvesse tal procedimento.

 

Estimativamente, quase todos os problemas oftalmológicos podem ser evitados com a promoção da saúde ocular junto às crianças e adolescentes em idade escolar. Nesse sentido, o presente texto visa contribuir para o melhor desempenho e participação dos professores e agentes de saúde na promoção da saúde ocular dos estudantes e também dos adultos. Por isso, a abordagem da temática será organizada por faixas etárias.

 

Informações gerais sobre saúde ocular

Chamamos visão à capacidade dinâmica que o olho tem de perceber o universo que o cerca – capacidade esta que depende de uma ação coordenada entre o nosso sistema visual e o cérebro. Visando preservá-la, há uma série de cuidados simples que podemos tomar para evitar que elementos do ambiente ou de nossos hábitos cotidianos venham a comprometer o bom desempenho de nossos olhos.

 

A educação em saúde ocular, através da disseminação de informações gerais e de práticas preventivas, é um caminho seguro que conduz a uma atividade visual saudável e, se for o caso, à detecção precoce de problemas oculares e ao encaminhamento dos indivíduos afetados aos serviços de saúde.

 

Os seguintes elementos básicos influenciam as pessoas a ter uma boa visão e uma boa saúde:

 

Condições de vida: qualquer melhoria das condições de vida da população – emprego, habitação, alimentação, educação, saneamento, principalmente – resulta em melhoria da saúde em geral, inclusive a ocular;

 

Higiene pessoal e ambiental: praticar medidas de higiene e cuidados gerais com o corpo e a mente previne a propagação de doenças, inclusive as oculares;

 

Dieta alimentar adequada: para crianças, jovens e adultos, é recomendável a ingestão regular de verduras, legumes e frutas; o leite materno, por sua vez, além de conter todos os ingredientes necessários para o bom desenvolvimento do bebê, é rico em vitamina A, importante na prevenção da cegueira noturna;

 

Imunização: algumas doenças contagiosas como o sarampo – podem causar cegueira, principalmente em crianças desnutridas. A vacinação das crianças e das mulheres adultas é fundamental na prevenção da rubéola, já que essa doença produz catarata congênita às crianças cujas mães a possuem.

 

Prevenção de problemas oculares: o reconhecimento precoce dos sinais e sintomas de problemas oculares e visuais, bem como a verificação periódica da acuidade visual e a prática dos cuidados de prevenção de infecções e de doenças oculares são medidas importantes para se manter uma boa capacidade visual.

 

Saúde ocular dos recém-nascidos

Ainda na sala de parto, ocorre a primeira ação de saúde ocular no ser humano: logo após o nascimento, é pingada uma gota de nitrato de prata nos olhos do recém-nascido, que previne uma doença ocular grave, que pode causar cegueira.

 

Tanto a mãe como os profissionais de saúde que mantêm contato com o bebê devem sempre observar o tamanho, o brilho, a cor e o aspecto geral dos olhos do recém-nascido, para detectar eventuais alterações ou anormalidades.

 

Ressalte-se que o aleitamento materno propicia ao bebê os nutrientes necessários ao bom desenvolvimento da visão. Os cuidados com as unhas (tanto da mãe quanto da criança) evitarão arranhões, ferimentos e infecções. No tocante à higiene, os banhos do bebê devem ser diários, com sabão neutro e água fervida e morna, e a criança deve ser seca com uma toalha limpa e reservada apenas para ela.

 

Saúde ocular dos lactentes e pré-escolares

A criança começa a melhorar sua visão, ou a desenvolvê-la efetivamente, por volta dos 6 a 8 meses. Mas somente aos cinco ou seis anos ocorre a maturação visual completa. O adequado cumprimento do calendário de vacinação e dos cuidados gerais e de higiene previnem as doenças provocadas por agentes infecciosos. A introdução de uma alimentação rica em vitaminas, desde cedo, logo após o término do aleitamento materno, ajudará a manter uma boa saúde.

 

Rotineiramente, devem ser procurados sinais e sintomas genéricos que podem indicar que a criança possui problemas oculares, tais como apresentar dor de cabeça freqüente; ser dispersiva ou desastrada; cair muito e derrubar objetos; ter dificuldade de acompanhar as brincadeiras dos colegas; fazer caretas, piscar muito, apertar os olhos; inclinar a cabeça para ver e aproximar-se demais da TV ou das páginas de revista e livros. Esses sinais podem indicar que a criança sofre de baixa acuidade visual; assim, deve ser levada ao oftalmologista o quanto antes, para consulta.

 

Outros sinais e sintomas muito comuns de problemas visuais, que também devem ser observados, são: lacrimejamento; olhos vermelhos; secreção, purgação (pus); crostas nos cílios; olhos semi-abertos; visão embaçada; sensibilidade excessiva à luz; visão dupla e desvio ocular (estrabismo). Em caso de dúvida, o teste de acuidade visual é sempre recomendável, pois permite a detecção de problemas oculares ainda não manifestos.

 

Com relação a esta faixa etária, os adultos deverão estar atentos à prevenção de acidentes com objetos ponteagudos e/ou cortantes – como faca, tesoura, lápis, por exemplo – ou produtos químicos – como o álcool, água sanitária, detergente e medicamentos – haja vista que crianças dessa idade costumam ter verdadeira atração por esses materiais, que podem levar perigo a seus olhos.

 

Saúde ocular dos adolescentes

As informações e recomendações anteriores são também válidas nesta fase de vida. Todas as crianças, antes de começar a freqüentar a escola, devem ir ao oftalmologista para realização de teste de acuidade visual. Por sua vez, a professora deve estar especialmente atenta aos seguintes sinais: olhos vermelhos após a aula; lacrimejamento durante a leitura; aproximar ou afastar muito o livro dos olhos; cansaço e desinteresse após a atividade escolar; dores de cabeça, tonturas e náuseas, após esforço visual; troca de letras semelhantes, ao ler.

 

Complementarmente, as noções de higiene e de educação alimentar também devem ser mantidas e reafirmadas com freqüência.

 

Geralmente, a adolescência é a fase em que a miopia se manifesta, cujo início se faz sentir por volta dos 10 anos. Assim, deverão ser encaminhadas a exame oftalmológico todas as crianças que nesta faixa de idade sintam dificuldades em enxergar o que está escrito no quadro ou localizar objetos situados muito longe.

 

É conveniente que as adolescentes sejam vacinadas contra a rubéola, prevenindo os bebês das eventuais gestantes contra a cegueira dos recém-nascidos. Os riscos de acidentes também devem ser prevenidos, atentando-se principalmente às atividades esportivas rudes.

 

O adulto e a saúde ocular

Os adultos devem periodicamente submeter-se ao exame de acuidade visual, e procurar o oftalmologista caso percebam algum declínio de capacidade visual. Todas as pessoas com mais de 35 anos de idade devem, sempre que possível, submeter-se ao exame de avaliação dos olhos e da visão, com o objetivo de detectar possíveis problemas e alterações.

 

Geralmente após os 40 anos, os adultos começam a observar o aparecimento dos sintomas da vista cansada. As letras vão se tornando menos nítidas, há dificuldade para a leitura das letras menores e a pessoa, para obter o foco ideal para ler, começa a afastar o livro ou jornal. Nessas circunstâncias, o oftalmologista deve ser procurado para que os exames e medidas sejam feitos e os óculos, receitados.

 

Determinadas atividades profissionais predispõem as pessoas a um número maior de alterações oculares. Assim sendo, o uso cuidadoso dos equipamentos de proteção do trabalhador – os óculos de segurança, por exemplo – e o bom estado das máquinas utilizadas evitam a ocorrência de traumas.

 

A mulher adulta deve ser vacinada contra a rubéola, o que evitará o aparecimento desta moléstia durante a gestação, já que esta doença, repetimos, adquirida nos primeiros 3 meses, pode causar cegueira ou catarata congênita no recém-nascido. Daí a importância da realização do pré-natal, essencial para a gestante, já que nele se faz o tratamento de infecções ginecológicas – que previne as conjuntivites do recém-nascido, adquiridas no canal de parto – bem como a detecção precoce e o correto tratamento de doenças que podem prejudicar tanto a gestante como o bebê.

 

Com relação às gestantes de alto risco, devem fazer exame ocular de rotina, visando detectar possíveis alterações.

 

O idoso e a saúde ocular

É na faixa acima de 65 anos que ocorre a maioria dos casos de baixa acuidade visual e cegueira. Estes problemas não devem ser considerados como resultantes do processo normal de envelhecimento, porque, se bem utilizados os recursos clínicos e cirúrgicos existentes – como, por exemplo, a cirurgia de catarata -, a visão do idoso pode ser recuperada. Mesmo no caso de vir a desenvolver cegueira, o idoso deve receber orientação e ser encaminhado para reabilitação, evitando restringir suas atividades.

 

Por outro lado, instalam-se nos idosos alterações relacionadas ao próprio envelhecimento e acentuam-se as doenças crônico-degenerativas como a hipertensão e o diabetes, que, se descontrolados, atingem os órgãos da visão e devem ser diagnosticados e tratados a tempo. O exame e o acompanhamento oftalmológico regular dos idosos é um procedimento bastante útil para evitar problemas que prejudiquem sua participação na vida familiar e comunitária.

 

Prevenção de acidentes oculares

Acidentes que afetam os olhos ou a cabeça podem acontecer no ambiente de trabalho, na escola, na prática de esportes ou nos momentos de lazer. Esse tipo de ocorrência pode ser evitado, ou pelo menos reduzido, com a adoção dos seguintes procedimentos:

 

  • Medicamentos e substâncias inflamáveis ou químicas devem sempre ficar longe do alcance das crianças;

 

  • Objetos pontiagudos e cortantes – como facas, estiletes, tesouras, por exemplo – não devem ser manuseados por crianças;

 

  • Devem ser evitados brinquedos potencialmente perigosos, como estilingue, dardo, flecha, revólveres e espingardas de chumbo;

 

  • Deve ser evitada a permanência de crianças junto ou próximas ao fogão;

 

  • No automóvel, as crianças devem ser sempre transportadas no banco traseiro e o uso do cinto de segurança é absolutamente indispensável;

 

  • Deve ser evitado o manuseio de substâncias inflamáveis e tóxicas perto de crianças;

 

  • Deve-se tomar cuidado especial – ou mesmo evitar – com determinados esportes e brincadeiras infantis de tipo violento ou agressivo;

 

  • As lentes dos óculos devem ser do tipo endurecidas, evitando-se o uso de lentes de vidro ou de material facilmente quebrável;

 

  • Devem ser evitadas brincadeiras – onde haja muita proximidade – com animais estranhos.

 

Porém, se apesar desses cuidados ocorrer um acidente, é fundamental que no momento do primeiro atendimento seja realizado um exame ocular, em busca de lesões e de corpos estranhos nos olhos, e o acidentado deve ser imediatamente encaminhado ao oftalmologista.

 

Fonte: Dr. José Veloso Souto Junior
Dra. Maria Aparecida Andrés Ribeiro

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