Museu inclusivo para deficientes visuais é uma realidade na Europa

Museu inclusivo para deficientes visuais é uma realidade na Europa

Post. 20/06/15

4.2-Museu

 

Já na bilheteria você sente a diferença: o ingresso possui inscrições em braile, bem como o livreto, que serve de guia para o passeio. Inaugurados em 1992, o Museu de Belas-Artes de Nice, na França, e o Museu dos Cegos de Madri, na Espanha, se dedicam ao público com deficiência visual.

 

Até a arquitetura do museu de Madri foi projetada no sentido de facilitar a visita dos deficientes visuais com 40.000 livros em braile, 60.000 trilhas sonoras e 5.000 trabalhos de arte, que incluem, por exemplo, maquetes de edifícios históricos das cidades mais famosas do mundo á disposição dos visitantes.

 

Pelos corredores, os arquitetos colocaram materiais diferentes nos pisos das salas que permitem aos cegos saber em que local se encontram graças aos sons produzidos pelas passadas. Já a iluminação ambiente e as cores das paredes foram escolhidas para ajudar as pessoas com cegueira parcial.

 

A construção do museu foi idéia da Organização Nacional dos Cegos da Espanha que, ao contrário de outras instituições do gênero, sobrevive à própria custa, movimentando algo em tono de 3 bilhões de dólares ao ano, o que faz dela uma das dez maiores empresas do país, controlando jornais e até a loteria madrilena.

 

Já o Museu francês foi desenvolvido com a ajuda do governo francês, através de um concurso promovido pelo Ministério da Educação e Cultura da França, vencido pela Secretaria de Turismo de Nice que investiu na instalação de faixas eletromagnéticas nos corredores, que atrai uma bengala especial recebida logo na entrada. Quando deseja tocar em algum objeto e se afastar da faixa, a pessoa simplesmente desliga a bengala, religando-a para retomar a caminhada.

 

O museu mantém convênio com laboratórios, para aperfeiçoar ainda mais suas instalações. E os cientistas envolvidos com o projeto, também se preocupam em desenvolver luvas especiais, que não eliminam totalmente a sensação tátil, mas ajudam a proteger obras mais frágeis.

 

Segundo cálculos do governo francês, 1% dos franceses são deficientes visuais, enquanto que, no Brasil, a incidência de cegueira está um pouco maior, na casa de 1,5%. Ainda assim, não existem projetos de museus especializados para essa parte da população, muito embora, para especialistas, alguns espaços já podem ser comparados á museus europeus em termos de acessibilidade.

 

Na Europa, os deficientes visuais ainda contam com mais apoio, como é o caso da Sala de Exposições da Central de Fomento à Profissão em Halle, leste da Alemanha. A exposição “Sentir Contornos” é fruto do trabalho de um ano da instituição, a única responsável pela profissionalização de cegos e portadores de deficiências visuais no país. A exposição explora materiais, formas, cores e tamanhos e conta com uma planta em alto-relevo, que serve como base de orientação para os visitantes. Cada ambiente está representado com a forma de um animal, que corresponde ao desenho da maçaneta da porta de acesso ao local.

 

Iniciativas semelhantes são encontradas em museus de Portugal e no Cairo. E é na própria Alemanha que está em estudos um projeto para criar obras que possam ser percebidas pelo olfato. Desta forma, todos os sentidos humanos serão solicitados frente a uma obra de arte.

 

Fonte: Saúde Visual

 

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